O dia de ontem produziu uma coincidência que dificilmente passará despercebida nos bastidores da política maranhense. Enquanto o nome de Edivaldo Holanda Júnior ganhava força definitiva para compor a chapa de Orleans Brandão, consolidando uma estratégia para ampliar espaço em São Luís e dialogar diretamente com o eleitorado evangélico, a gestão de Eduardo Braide viu explodir uma crise justamente com esse segmento.
O estopim foi a ida da deputada estadual Mical Damasceno à SMTT. A parlamentar afirma ter ido defender a realização de cultos em terminais de integração e grandes avenidas da capital, mas acabou protagonizando um embate com agentes do órgão. Segundo seu relato, teve o veículo cercado por viaturas, enfrentou restrições para deixar o local e foi impedida de registrar imagens dentro da secretaria. O episódio rapidamente ganhou contornos políticos.
Nos corredores da política, a leitura é de que o desgaste ocorre no pior momento possível para Braide. A SMTT, comandada por uma indicação direta do núcleo da prefeitura, acabou colocando a administração municipal no centro de um conflito com uma das bases eleitorais mais organizadas do Maranhão. Mical transformou o episódio em uma bandeira política e elevou o tom ao afirmar que a gestão estaria criando obstáculos às atividades evangélicas na cidade.
O timing chama atenção. Enquanto Orleans amplia sua frente política com um nome de forte interlocução junto ao segmento evangélico, Braide passa a administrar uma crise que pode produzir ruídos justamente entre um eleitorado considerado estratégico para 2026. Em política, há dias em que os fatos parecem conversar entre si. A sexta-feira foi um deles.

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