Nos bastidores da política maranhense, a candidatura do prefeito de São Luís, Eduardo Braide, ao governo do Estado deixou de ser tratada como favas contadas. Faltando menos de três semanas para o prazo de desincompatibilização, aliados admitem que o prefeito vive um momento de dúvidas sobre dar ou não o salto para a disputa estadual.
O principal problema está dentro de casa. A nova greve dos rodoviários, a oitava em seis anos de gestão, expôs novamente a fragilidade da Prefeitura em lidar com o transporte público da capital. Interlocutores próximos avaliam que deixar o cargo com a cidade mergulhada em mais uma crise seria um risco político elevado para quem pretende pedir votos em todo o Maranhão.
Outro fator que entrou no radar do prefeito foi a demonstração de força do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão. O evento que lançou sua pré-candidatura no último sábado reuniu centenas de prefeitos e lideranças políticas, consolidando a percepção de que o nome do secretário ganhou capilaridade no interior, justamente onde Braide ainda enfrenta dificuldades para construir base.
Há ainda a questão da musculatura política. Braide segue praticamente isolado no tabuleiro estadual e, caso decida entrar na disputa, teria poucas opções de alianças. Uma delas seria se aproximar do grupo ligado ao vice-governador Felipe Camarão, hoje politicamente enfraquecido e sem rumo claro após a saída de Flávio Dino do cenário local.
Diante desse quadro, cresce entre aliados a avaliação de que o prefeito talvez precise adiar seus planos estaduais. Falta quem segure a Prefeitura com confiança, falta base política organizada no interior e, principalmente, falta tempo para construir uma candidatura competitiva em todo o Maranhão. Nos bastidores, a pergunta que começa a circular é simples: Braide vai mesmo arriscar ou prefere esperar um cenário mais favorável?

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