Antes de ser preso no bojo das investigações que atingiram em cheio a Prefeitura de Turilândia pelo desvio de R$ 56 milhões, o então prefeito José Paulo Dantas Silva Neto, conhecido como Paulo Curió, tratou de garantir um reajuste generalizado nos salários do alto escalão do município. Um levantamento do site Folha do Maranhão mostra que o aumento beneficiou diretamente o próprio prefeito, a vice-prefeita, Dra. Tanya Mendes, todos os secretários municipais, secretários adjuntos e ainda os vereadores da cidade.
O salário do prefeito foi elevado de R$ 15 mil para R$ 20 mil mensais, um salto significativo que ocorreu antes da prisão de Paulo Curió. A medida não ficou restrita ao chefe do Executivo. A vice-prefeita, que tinha um salários de R$ 5.700,00, passou a receber R$ 10 mil, os secretários municipais tiveram os vencimentos fixados em R$ 5 mil e os secretários adjuntos em R$ 3.375. Já os vereadores passaram a receber R$ 8.500, enquanto o presidente da Câmara Municipal teve o subsídio estabelecido em R$ 9.500.
Os novos valores foram oficializados por meio de lei sancionada pelo próprio Paulo Curió em novembro de 2024, com validade a partir de janeiro de 2025, alcançando toda a cúpula política do município. O ato, assinado no gabinete do prefeito, garantiu reajustes em cadeia para os principais cargos da administração e do Legislativo municipal.
ENTENDA O CASO
A investigação do Ministério Público do Maranhão, por meio do GAECO, aponta que a Prefeitura de Turilândia foi usada como base de um esquema de desvios que ultrapassa R$ 56 milhões, envolvendo diretamente o então prefeito Paulo Curió, além de sua esposa, a vice-prefeita Dra. Tanya Mendes, um contador ligado à administração e todos os 11 vereadores do município.
Segundo as investigações, o grupo atuava de forma organizada para fraudar licitações, direcionar contratos e liberar pagamentos por serviços que não eram executados ou eram superfaturados. Empresas de fachada eram usadas para simular concorrência e justificar transferências de recursos públicos, enquanto parte do dinheiro retornava ao esquema na forma de propinas e vantagens indevidas. Áudios e documentos reunidos pelos investigadores indicam que o funcionamento da prefeitura dependia desse sistema, tratado internamente como rotina administrativa.
O esquema só se sustentava, de acordo com o MP, porque havia alinhamento total entre o Executivo e o Legislativo. Os vereadores, que deveriam fiscalizar os gastos da prefeitura, teriam participado ativamente da engrenagem criminosa, aprovando projetos, contratos e pagamentos sem qualquer questionamento, em troca de benefícios diretos. Com isso, Turilândia passou anos sem controles efetivos, enquanto milhões eram retirados dos cofres públicos.
A operação culminou na prisão do prefeito, da vice-prefeita, de vereadores e de outros envolvidos, provocando um colapso institucional no município. A cidade ficou com a prefeitura e a câmara praticamente esvaziadas, revelando a dimensão do escândalo e consolidando o caso como um dos maiores esquemas de corrupção municipal já desvendados no Maranhão.
O aumento dos salários chama atenção pelo momento em que foi aprovado, antecedendo a prisão do prefeito em um cenário de graves denúncias que envolvem desvios milionários de recursos públicos em Turilândia. (Folha do Maranhão)

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