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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Quando um diretor se torna gestor escolar

Secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão

“Antes de decidir, pense no estudante”. Esta frase compunha quadros espalhados por vários corredores do Ministério da Educação, lá pelos anos de 2014. Apesar do tempo decorrido, a frase ainda provoca em nós, profissionais da área e interessados pela educação, alguns questionamentos. Afinal, para quem ou para que fazemos educação? Qual sentido damos ao dia a dia nas escolas e às mudanças tão frequentes no modo de fazer educação?

Observando mudanças que parecem singelas, uma é especial: a utilização da nomenclatura “gestor” escolar em substituição a “diretor” escolar. É desafio de todos os gestores, desde os setores administrativos da secretaria, às escolas, garantir uma boa estruturação da rotina escolar para concretizar, na sala de aula, a relação do ensino com a aprendizagem. Parece uma obviedade e uma tarefa fácil, mas não é.

Com o passar dos anos, várias atribuições foram dadas à escola. Diante disso, o gestor é estratégico para a construção de um projeto educacional consistente, coerente e bem alinhado com as demandas e realidade de uma comunidade escolar. Conseguir realizar ações de várias “gestões” – financeira, administrativa, dos espaços, relação escola e comunidade –, exige capacidade técnica associada a uma liderança autêntica dentro de um espaço heterogêneo, diverso, complexo e instigante como uma escola.

Secretária Adjunta de Ensino, Nádya Dutra

Perde força a figura de um profissional monitorando corredores ou dentro de um gabinete para conversas disciplinadoras. O gestor é, antes de tudo, um líder articulador de todos os processos em torno do êxito acadêmico dos estudantes. A educação conseguiu, como bem diz nosso povo, ir para a Trizidela, ou seja, o outro lado da margem do rio, passando a refletir não somente as condições propícias ao ensino, mas, também, o fim do processo educativo, que é a aprendizagem.

O Maranhão está rompendo as barreiras históricas com a implementação da gestão escolar democrática, que já apresenta bons resultados. Isso está expresso, por exemplo, no Programa Mais Gestão, que já ofertou formação para quase 2.500 profissionais que atuam na rede estadual e são, ou pretendem ser, gestores escolares.

Outro aspecto que merece destaque é o cumprimento da meta dos Planos Nacional e Estadual de Educação sobre a gestão democrática associada a critérios técnicos e à consulta pública, ação garantida pelo governo Flávio Dino, por meio da eleição direta, vinculada ao apoio pedagógico e financeiro. Foram em torno de 600 mil pessoas envolvidas nos pleitos, número que se aproxima da quantidade de eleitores de São Luís, maior colégio eleitoral do Estado.

É importante lembrar, sobretudo neste momento político do país, que esse debate sobre gestão democrática nos remete à década de 80, quando a escola brasileira resistia ao modelo educacional implantado pelo golpe militar de 1964, que enfraqueceu a autonomia das comunidades escolares, feriu a liberdade de cátedra e centralizou os processos de gestão. Vemos, portanto, com muita preocupação, o renascimento de posturas que comprometem os princípios da educação, presentes no texto constitucional: o livre aprender, ensinar, pesquisar, divulgar o pensamento, a arte, o saber, o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas.

Em sentido oposto e primando, essencialmente, pelo respeito à liberdade no exercício do magistério, o Estado do Maranhão implementará um modelo de gestão para resultados na aprendizagem, reunindo ações que garantam o fortalecimento da gestão democrática e a qualificação dos processos e rotinas pedagógicas, com o objetivo de atingir toda a rede estadual, salvaguardando as especificidades e as diversidades educacionais de um Estado de negros, indígenas, homens e mulheres do campo e das cidades.

Por isso, é meta deste governo o alinhamento da dimensão administrativa à dimensão política no trabalho dos gestores escolares. E para não sermos mal compreendidos, ao falarmos aqui de política, explicamos lembrando o que foi apontado por Dermeval Saviani: “a prática educativa escolar é prática social crítica”.

Portanto, sem tergiversar, trabalharemos pela melhoria constante dos processos pedagógicos, respaldados na ação colegiada e reafirmando que o sentido maior da gestão escolar é a democratização do saber, o êxito dos nossos estudantes e respeito aos princípios democráticos da educação. A propósito, viva, hoje e sempre, a Democracia!
Felipe Costa Camarão
Professor
Secretário de Estado da Educação
Membro da Academia Ludovicense de Letras e Sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão
Nádya Christina Guimarães Dutra
Pedagoga Mestranda em Educação
Secretária Adjunta da SEDUC e Coordenadora do Fórum Estadual de Educação do Maranhão


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