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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

DA FÁBRICA DE TECIDO Á FÁBRICA DO CONHECIMENTO


ESCOLA CINTRA

São Luís já foi um polo industrial têxtil. No final do século XIX, pelo menos dez fábricas de tecidos e fiação se instalaram na cidade, anunciando o progresso e mudança da vida social da região. A antiga Companhia de Fiação e Tecidos do Rio Anil (Rua da Companhia, 1, Anil), construída em 30 de junho de 1893, por exemplo, foi responsável por mudar o modo de vida do bairro do Anil. Pertenceu a seis empresários de São Luís: Antônio Cardoso Pereira, Francisco Xavier de Carvalho, Manuel José Francisco Jorge, José Francisco de Viveiros, Jerônimo Tavares Sobrinho e o Cônsul da Grã-Bretanha no Maranhão, o escocês Henry Airlie, idealizador da Companhia. 

Ocupou uma área de 9.991m², sendo edificada em pedra, cal e alvenaria de tijolo. E como era comum acontecer nos entorno das fábricas, uma vila operária prosperou na região e com isso diversos serviços foram sendo instalados nas proximidades do pátio fabril. Dada a importância do bairro na época, a Companhia Ferro-Carril do Maranhão construiu dez quilômetros de trilhos até o Anil, por onde circulariam bondes animálicos, que mais tarde tornou-se um dos principais trechos da malha ferroviária da cidade. Isso propiciou também o deslocamento dos operários que seguiam para o trabalho logo ao soar do apito da fábrica e também o escoamento da produção fabril que teve como apogeu a década de 1930, quando atingiu o ponto mais alto da produtividade (1 milhão metros/ano).

Recuperação – Como boa parte das fábricas da época, a Companhia de Fiação e Tecidos do Rio Anil não resistiu aos entraves e pediu falência em 1961. Abandonada por muito tempo, foi somente um século depois do lançamento de sua pedra fundamental que o local foi recuperado e deu espaço ao Centro Integrado Rio Anil (Cintra), com projeto do arquiteto Fabrício Pedroza. Adotou-se para o novo Centro a mesma cor azul da antiga Fábrica, segundo a lembrança dos velhos moradores do bairro.

O prédio tem cobertura composta por uma estrutura forjada na Inglaterra e telhas francesas. A fachada principal apresenta 14 módulos, com cobertura em duas águas, formando pequenos frontões com óculos centralizados. O interior foi reestruturado em dois pavimentos de salas de aula e administrativo com circulação em forma de mezaninos e largas escadas em madeira, com alguns pilares em troncos retorcidos. Antes imensas salas abrigavam os teares.

O desafio era compartimentar essas grandes áreas sem deixá-las escuras. Para isso aproveitaram-se as grandes janelas de guilhotinas em madeira e vidro que rasgam toda a extensão da antiga fábrica, além de telhas de vidro localizadas estrategicamente nas circulações internas que garantiram a ventilação e iluminação. Em alguns pontos há jardins de inverno, iluminados por abertura no telhado, sem nenhum prejuízo às formas originais. Ainda é possível encontrar corredores revestidos com ladrilhos hidráulicos e alvenaria em pedra aparente que destaca a qualidade da mão de obra da construção civil do século XIX no Brasil. ( Fundação Nice Lobão - Cintra )

Hoje a Fundação Nice Lobão - Centro Integrado Rio-Anil ”CINTRA” tem mais de 5 mil alunos que fazem parte dessa instituição, a qual é uma das maiores escolas públicas da América Latina. 


HINO AO CINTRA


Composição: Normandia Lima
Vídeo Produzido por : Davi Max

https://youtu.be/GTNZZgAE-MQ


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